Da América Latina para os Países Baixos
Entre os séculos XVI e XVIII, grande parte da América do Sul manteve uma forte ligação com a Europa. Espanha e Portugal estabeleceram colónias que deixaram uma marca profunda na região. Essa influência foi muito além da história. A língua, a cultura e as relações entre países continuaram a evoluir ao longo do tempo.
Nos séculos seguintes, vários países da região incentivaram a chegada de trabalhadores europeus. O objetivo era apoiar o desenvolvimento de sociedades em crescimento. Como resultado, existem hoje na América Latina várias gerações de pessoas com ascendência europeia. Em alguns casos, esse fator pode facilitar a mobilidade internacional.
Este contexto ajuda a explicar porque é que, ainda hoje, uma parte da população latino-americana tem nacionalidade europeia ou pode obtê-la através da sua ascendência familiar. Mais do que um projeto de captação, esta abordagem parte de uma realidade concreta e transforma-a numa oportunidade partilhada.
Olhar para o passado para construir o futuro
Antes de avançar com qualquer ação, foi essencial compreender bem o contexto. O primeiro passo passou por analisar os países, identificar perfis técnicos e estudar o enquadramento legal e cultural. Também foi importante perceber se existia interesse real por parte dos profissionais. A conclusão foi clara: esse interesse existe e não é pontual.
Muitos profissionais da América Latina veem a Europa como uma oportunidade real de crescimento profissional e pessoal. Não se trata apenas de mudar de país. Trata-se também de alcançar maior estabilidade, perspetivas de futuro e melhores condições de vida.
Em países como a Colômbia, o Peru, o Chile, a Argentina e o Brasil, foram identificados perfis técnicos com experiência, motivação e vontade de dar o salto para a Europa. Isso acontece sempre que existem as condições certas. Este caso de estudo mostra que, muitas vezes, a solução não passa por procurar mercados totalmente novos. Passa por saber interpretar realidades que já existem.
Dimensão e composição do grupo-alvo
Após o contacto com os consulados de diferentes países, estima-se que entre a Colômbia, o Peru, a Bolívia, o Chile, a Argentina e o Brasil exista uma população conjunta de mais de 3 milhões de pessoas com passaporte europeu.
Além disso, foi identificado um forte interesse na América Latina em trabalhar na Europa. Esse interesse é especialmente visível em perfis técnicos, como os soldadores, que representam uma parte muito importante das candidaturas. No total, foram recebidas mais de 4.000 candidaturas. A maioria veio da Argentina, do Brasil, da Colômbia, do Peru, da Bolívia e do Chile.
Entre os candidatos há pessoas com dupla nacionalidade europeia e também um volume significativo de perfis que indicam ter uma possibilidade real de a obter a curto prazo.
Este aspeto é especialmente relevante porque a COVEBO opera dentro do quadro legal europeu. Por isso, só pode integrar profissionais que tenham nacionalidade europeia ou direito legal a trabalhar na União Europeia. Assim, não se trata de uma preferência, mas sim do cumprimento da legislação relativa à livre circulação de trabalhadores dentro da UE.
Primeira fase do projeto
A primeira fase de testes terá lugar no Brasil, uma vez que existe uma ligação direta com a COVEBO Portugal. Além disso, a equipa já contactou várias empresas de formação e identificou espaços adequados para realizar uma prova prática de soldadura. Durante essa prova, irá avaliar o nível técnico e a experiência dos candidatos nesta área.
Depois de concluírem a prova com sucesso, os profissionais selecionados poderão iniciar o processo para trabalhar nos Países Baixos. Nessa fase, contarão com o apoio necessário para a sua integração, incluindo alojamento em quarto individual, transporte e seguro de saúde assegurado pela COVEBO.
Além disso, será preparado um guia de boas-vindas com informação útil para facilitar a adaptação, que incluirá:
- Comparação do estilo de vida
- Preços da alimentação
- Custos de lazer
- Sistema de saúde
- Transportes
- Números de emergência
O Projeto América Latina mostra que existe uma oportunidade real e escalável para atrair talento técnico qualificado da região. Os profissionais com experiência em perfis técnicos, nacionalidade europeia ou direito legal para trabalhar na União Europeia podem encontrar neste projeto uma oportunidade concreta para desenvolver a sua carreira nos Países Baixos com a COVEBO. Além disso, este projeto dirige-se a pessoas com motivação para continuar a crescer, tanto a nível profissional como pessoal.